quarta-feira, 10 de março de 2010

Menino quem é teu Mestre?

Autor Jean Pangolin

Segundo o dicionário do folclore brasileiro de Luiz da Câmara Cascudo, mestre é todo exímio trabalhador manual / aquele que ensina ou título dado a membros de uma comunidade que exercem profunda relação com algum saber, em forma de respeito. Na capoeira o título de mestre é dado a todo aquele que a partir do reconhecimento público de serviços prestados a uma comunidade consegue se firmar como tal. Nossa reflexão começa a partir destas definições acima, pois se faz necessário, mais do que nunca, tentarmos desmistificar a figura do mestre de capoeira, pois só assim conseguiremos modificar grandes equívocos que ocorrem no processo de formação de cada discípulo. Vale a pena ressaltar que este artigo não pretende de maneira nenhuma esgotar o assunto nem se firmar como verdade absoluta, mas sim servir de base para estimular algumas reflexões sobre a arte capoeira e seus “condutores”. Em minha jornada pela capoeira da Bahia, celeiro de alguns dos maiores mestres no Brasil e no mundo, sempre me deparei com situações que até hoje não consigo compreender a lógica norteadora, mestres que obrigam os alunos a lhe chamarem de mestre, mestres onipotentes de uma saber fantasioso que só existe em seu imaginário pessoal, mestres incapazes de se reconhecerem como humanos e outros como irmãos, mestres que articulam contra as novas gerações por medo do novo e etc... Infelizmente este é o retrato mais atual da capoeira da Bahia, contudo nem tudo está perdido, pois a capoeira está em constante processo de transformação e ao contrário do que muitos “mestres” pretendem, a formação de seus alunos não é restrita só a ele, mas sim a todo um contexto que está despertando para um novo rumo.Precisamos compreender que mestre não é aquele que diz certo ou errado, mas o que lhe conduz ao entendimento do erro e do acerto, mestre não é aquele que avalia o produto final, mas aquele que participa do processo de construção, mestre não é aquele que se firma por que é divino e sim pela sua condição humana, mestre é aquele que compreende o erro do discípulo como uma tentativa de acerto, mestre não é aquele que está sempre certo, mas o que está disposto a discutir seus erros e acertos, mestre é aquele que…A capoeira, caros amigos, não precisa de líderes e sim de mediadores, pois todo processo herdado da sociedade africana infelizmente foi interpretado e está sendo praticado de maneira equivocada, o respeito ao mais velho, como fonte de saber, só tem sentido mediante o respeito ao mais novo e ao contemporâneo, portanto precisamos tornar as relações entre mestres e discípulos mais flexíveis, horizontalizadas e verdadeiras, pois só desta maneira conseguiremos harmonizar a formação de nossos futuros mestres.É importante que cada mestre reflita profundamente, de maneira critica, a cada dia sobre sua prática, pois o que lhe garante a condição de mestre é também o fato de poder contribuir com a formação de outros, haja vista que não existe mestre sem discípulo. Por outro lado cada discípulo precisa compreender que, ao contrário do que se pensa, o mestre surge de dentro para fora, como uma flor que precisa ser regada para crescer forte e bela, não sendo necessário, no meu entendimento depositar nas mãos de terceiros o que nós fomos, somos e seremos, mas sim reconhecer nestes terceiros uma possibilidade a mais de contribuição em nosso processo de formação.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Apresentação da FECABA: Quem somos, missão, visão e valores

Aconteceu, no dia 06/03/2010, a apresentação da nova presidência da FECABA, tendo como Presidente, o Mestre Geni, e como vice, o Mestre Máximo.


A FECABA é uma Entidade Estadual de Administração do Desporto e da Cultura da Capoeira da Bahia, em todo o seu território, de direito privado e natureza filantrópica, sem fins lucrativos.


video


O objetivo da FECABA é fiscalizar, organizar, regulamentar, administrar, apoiar, desenvolver e representar a Capoeira na Bahia.

A missão é disseminar a capoeira como instrumento de contribuição e construção cultural na Bahia e no mundo, tornando-a conhecida do grande público como os capoeiristas, turistas nacionais e internacionais, admiradores, investidores, empresários, empresas, etc.
A visão é ser vista como uma entidade que preserva a capoeira com sinceridade, respeito e, acima de tudo, a valorização cultural e histórica.
E os princípios e valores são: o respeito aos grandes mestres, tendo como sustentáculo um bom procedimento para garantir a salvaguarda da capoeira como tradição; e ter transparência, lealdade, amor e harmonia.


Agora só Falta você...!


"QUANDO A CAPOEIRA NÃO PERDE RAIZ ELA INTROJETA LIÇÕES, FAZ MESTRES E DEIXA LEGADO" MESTRE RENÊ BITENCOURT